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Saúde e bem-estar animal

Doença renal crônica em gatos: sinais silenciosos e cuidados que fazem diferença

Por Débora Branco · 28/08/2026

A doença renal crônica (DRC) é uma perda progressiva da função dos rins. Ela é especialmente frequente em gatos idosos e pode avançar durante bastante tempo sem provocar sinais evidentes. Por isso, consultas preventivas e exames periódicos são tão importantes: descobrir a alteração cedo permite planejar os cuidados antes que o gato fique debilitado.

Por que os rins são tão importantes?

Além de filtrar resíduos do sangue e produzir urina, os rins ajudam a equilibrar água e eletrólitos, participam do controle da pressão arterial e produzem sinais hormonais relacionados à formação de glóbulos vermelhos. Quando a função renal diminui, diferentes partes do organismo podem ser afetadas.

Sinais que merecem atenção

No início, muitos gatos parecem normais. Com a progressão da doença, o tutor pode perceber:

• aumento da sede e do volume de urina;
• perda de peso ou de massa muscular;
• redução do apetite;
• vômitos ou náusea;
• cansaço e menor interesse por brincadeiras;
• pelos menos bem cuidados;
• hálito diferente;
• gengivas pálidas.

Esses sinais também podem ocorrer em outras doenças. Eles não confirmam DRC sozinhos, mas indicam que o gato precisa ser examinado. Perda súbita de visão, desorientação, fraqueza intensa, recusa persistente de alimento ou vômitos repetidos exigem atendimento rápido.

Como é feito o diagnóstico?

Não existe um único exame que conte toda a história. A avaliação costuma combinar exame clínico, pressão arterial, exames de sangue e urina. Creatinina, ureia e SDMA ajudam a avaliar a filtração renal; a densidade urinária mostra a capacidade de concentrar a urina; e a relação proteína/creatinina urinária pode identificar perda de proteína.

O veterinário também pode solicitar cultura de urina, ultrassom, radiografias e repetição dos exames com o animal hidratado e estável. Depois da confirmação, o estadiamento recomendado pela International Renal Interest Society (IRIS) ajuda a orientar tratamento e acompanhamento individualizados.

Cuidados que fazem diferença

Hidratação: água fresca em vários pontos da casa, fontes e alimentação úmida podem estimular a ingestão. Alguns pacientes precisam de fluidoterapia, mas a quantidade e a via devem ser definidas pelo veterinário — excesso de fluidos também pode ser prejudicial.

Nutrição: dietas renais terapêuticas têm controle de fósforo e outros ajustes que podem melhorar a qualidade e a expectativa de vida. A transição deve ser gradual. Um gato com doença renal não deve ficar sem comer para ser “obrigado” a aceitar a nova dieta; a prioridade é manter ingestão adequada e adaptar sabor e textura com orientação profissional.

Pressão arterial e proteína na urina: hipertensão e proteinúria podem acelerar lesões e causar complicações, inclusive alterações nos olhos. Por isso, precisam ser monitoradas e tratadas quando indicado.

Náusea, apetite e peso: medicamentos contra náusea ou estimulantes de apetite podem ajudar determinados pacientes. A escolha depende do estágio da doença, dos exames e de outras condições do gato.

Fósforo, potássio e anemia: alterações nesses parâmetros são tratadas de acordo com resultados laboratoriais. Nunca ofereça suplementos ou medicamentos humanos por conta própria.

O que há de novo no tratamento?

As recomendações internacionais são atualizadas conforme surgem novas evidências. As revisões mais recentes da IRIS refinam o acompanhamento e o momento de tratar complicações, incluindo anemia. Além das terapias injetáveis já utilizadas em certos casos, existe uma opção oral chamada molidustat para estimular a produção de glóbulos vermelhos em alguns gatos com DRC e anemia. A indicação e a disponibilidade variam por país, e o controle da pressão arterial é indispensável. Não é um medicamento preventivo nem adequado para todos os pacientes.

Também existem avanços em dietas, controle de fósforo, tratamento de náusea e monitoramento por SDMA. Ainda assim, não há uma cura única para a DRC. O melhor resultado costuma vir da combinação de diagnóstico precoce, tratamento das complicações, alimentação apropriada e reavaliações regulares.

Como ajudar em casa

• observe quanto o gato bebe, come e urina;
• pese o animal regularmente, se possível;
• ofereça água limpa em locais tranquilos;
• mantenha caixas de areia acessíveis e limpas;
• anote vômitos, mudanças de apetite e comportamento;
• administre somente o que foi prescrito;
• compareça aos retornos mesmo quando o gato parece bem.

Cada gato é único

O estágio da doença, a idade, a pressão arterial, o apetite e outras condições mudam completamente o plano de cuidado. Este conteúdo é educativo e não substitui consulta, exames ou prescrição veterinária.

Fontes consultadas:
Cornell Feline Health Center — Chronic Kidney Disease (atualizado em janeiro de 2025): https://www.vet.cornell.edu/departments-centers-and-institutes/cornell-feline-health-center/health-information/feline-health-topics/chronic-kidney-disease
International Renal Interest Society — IRIS Guidelines: https://www.iris-kidney.com/iris-guidelines-1
AAHA/AAFP — Feline Life Stage Guidelines: https://www.aaha.org/resources/2021-aaha-aafp-feline-life-stage-guidelines/